Maria Fernanda Barros
O trabalho de Maria Fernanda Barros tem na geometria, nos ritmos visuais e nas sequências de formas o seu ponto de partida. Em um primeiro momento, essa pesquisa se desenvolve em planos mais contidos, quase gráficos; aos poucos, desdobra-se em construções tridimensionais, nas quais volume e profundidade passam a desempenhar um papel central. Nessas estruturas, luz, sombra, cor e forma se articulam de maneira sutil, criando jogos de percepção que nunca se repetem da mesma forma.
Seu processo une intuição e precisão. A artista observa a incidência da luz sobre objetos e superfícies, repara nas variações mínimas das sombras e, a partir disso, organiza desenhos com formas elementares – linhas, ângulos, módulos – que se reiteram, se deslocam e se combinam, conduzindo o olhar por caminhos quase coreografados. Essa repetição nunca é mecânica: ela é o dispositivo por meio do qual o espectador é convidado a desacelerar e a permanecer diante da obra.
À medida que a luz se altera, as cores se revelam em camadas, gerando nuances, gradientes e transições delicadas que se modificam conforme o ponto de vista de quem observa. Cada mudança de posição faz emergir relações distintas entre cheios e vazios, planos e volumes. Assim, Maria Fernanda Barros constrói uma poética em que disciplina formal e sensibilidade cromática se equilibram, resultando em composições discretas e, ao mesmo tempo, profundamente envolventes.